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Déficit de atenção atinge adultos

Frequentemente diagnosticado em crianças agitadas e com dificuldades de concentração na escola, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) não é uma doença exclusiva da garotada. O distúrbio também afeta adultos e pode causar graves consequências para quem não trata na infância, deixando-o se desenvolver até a fase adulta.

Um dos principais problemas encontrados para se combater o TDAH em adultos é a falta de um alvo único: o problema afeta a pessoa em vários contextos. Assim, muitas vezes, acaba sendo o responsável pelo mau desempenho profissional, acadêmico e social. O psiquiatra Eugenio Grevet, coordenador de pesquisa do Ambulatório de TDAH do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, diz que isso ocorre devido a três fatores que compõem a doença: a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade.

Segundo Grevet, a desatenção faz com que a pessoa perca a atenção e se distraia facilmente com estímulos externos, não finalizando as tarefas que inicia. A impulsividade faz o portador de TDAH sempre dar respostas precipitadas e ter dificuldade de esperar a sua vez no momento em que está fazendo algo em grupo, por exemplo.

- O prejuízo funcional é muito grande. As pessoas passam a não ter uma performance tão boa, trocam muito de emprego. No caso de crianças, passam a repetir de ano na escola. Começam a se achar com déficit de inteligência e apresentam baixa auto-estima, o que pode desencadear outras doenças, como a depressão, e até o uso de drogas – diz Grevet.

O TDAH não surge na idade adulta. O psiquiatra explica que os primeiros sintomas do transtorno aparecem até os 12 anos, na maioria das vezes por predisposição genética. Estima-se que, no Brasil, 5,29% das crianças e 4% dos adultos sofram do distúrbio.

A psiquiatra Denise Blaya Rocha, do Instituto Cyro Martins, explica que o diagnóstico da doença é essencialmente clínico, feito por meio de conversa entre o paciente e o profissional.

- A criança considerada hiperativa tem os pais como supervisores, e a desorganização dela não aparece muito pois sempre tem alguém cuidando dela. Já o adulto elétrico não tem ninguém para controlá-lo. Como perde compromissos ou deixa algumas tarefas para depois, já que quer fazer tudo ao mesmo tempo, é visto como irresponsável – diz Denise.

Atualmente, o principal tratamento é feito como uso de medicação e readequação de alguns hábitos. Além da medicação, a psicoterapia deve ser mantida, na maioria dos casos, pela necessidade de mudança de comportamento que deve ocorrer com a melhora dos sintomas.

 

Fonte: Zero Hora

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