Entrevista Dr. Dráuzio Varela com o Dr. MaurÃcio Bagnato, médico, ex-presidente e atual secretário da Sociedade Paulista de Medicina do Sono e trabalha no Laboratório do Sono da do Hospital SÃrio-Libanês e do Instituto do Sono da UNIFESP – Universidade Federal do Estado de São Paulo, a Escola Paulista de Medicina.
Orientações para dormir bem
DV- Que conselho você dá às pessoas que se deitam e dormem, mas acordam no meio da madrugada e não conseguem dormir novamente?
MB– Todos conhecemos pessoas que só dormem sob efeito de medicação e, assim mesmo, não têm um sono repousante, porque criam tolerância aos remédios. Migram de médico em médico em busca de alÃvio, mas pouco conseguem. Em vista disso, nos últimos congressos, um deles realizado em São Paulo, destacou-se a importância de lidar com a parte comportamental da insônia. A tendência atual é recorrer a acompanhamentos psicológicos, porque há pessoas que dormem mal porque são ansiosas ou depressivas e, basta colocarem a cabeça sobre o travesseiro, para começarem a remoer os problemas para os quais não vislumbraram solução durante o dia. Com isso, a estrutura do sono fica danificada e a qualidade de vida comprometida.
Além desse tratamento, existem alguns hábitos que, se desenvolvidos, podem beneficiá-las.
- Primeiro: a cama foi feita para dormir e para a relação sexual, que é relaxante, sem dúvida. Muita gente, no entanto, come na cama e assiste à televisão deitado. Há quem diga, até, que ver tevê ajuda a dormir. Não ajuda. Você pode cochilar, mas não adormece profundamente. Vez ou outra desperta e procura recompor as cenas perdidas. Quem quiser assistir à televisão, fique na sala. O sono chegou, vai para o quarto, apaga a luz, deita e dorme;
- Segundo: exercÃcios fÃsicos vigorosos são estimulantes. Portanto, é contra-indicado praticá-los à noite;
- Terceiro: refeições próximas à hora de deitar podem provocar refluxos gastroesofágicos que atrapalham o sono. Evitá-las é uma boa sugestão.
DV- Café e refrigerantes também são contra-indicados?
MB– Todos conhecemos pessoas que só dormem sob efeito de medicação e, assim mesmo, não têm um sono repousante, porque criam tolerância aos remédios. Migram de médico em médico em busca de alÃvio, mas pouco conseguem. Em vista disso, nos últimos congressos, um deles realizado em São Paulo, destacou-se a importância de lidar com a parte comportamental da insônia. A tendência atual é recorrer a acompanhamentos psicológicos, porque há pessoas que dormem mal porque são ansiosas ou depressivas e, basta colocarem a cabeça sobre o travesseiro, para começarem a remoer os problemas para os quais não vislumbraram solução durante o dia. Com isso, a estrutura do sono fica danificada e a qualidade de vida comprometida.
DV- Tem gente que garante não sentir efeito algum do café em relação ao sono.Como você explica isso?
MB- A sensibilidade muda muito de indivÃduo para indivÃduo. Nada garante, porém, que não haja prejuÃzos. Se não tivesse tomado café, provavelmente o sono seria mais profundo, mais consolidado, teoricamente com menos fragmentação. O mesmo ocorre com o álcool. Quantas pessoas não afirmam que um drinque ajuda a induzir o sono. Apesar de alguns cientistas defenderem essa hipótese, na verdade, o álcool quebra a arquitetura normal do sono.
Recapitulando: evitar café, álcool e exercÃcios fÃsicos puxados à noite e ir para a cama apenas na hora de dormir são pequenas dicas que somadas, entretanto, podem produzir efeitos razoáveis, se a pessoa não apresentar outros problemas que exijam tratamento especÃfico. Se, por exemplo, o paciente queixar-se que mal adormece e já começa a roncar tão alto que desperta com o ruÃdo ou com o esforço que o ar exige para conseguir vencer a resistência da faringe.
Ildefonso Santos





